segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A simbologia das estações

O conto está divido em 16 capítulos permitindo verificar que o tempo cronológico em que se desenrola a história é de 1 ano. Iremos assistir ao despoletar do amor entre o gato e a andorinha e à evolução que este sentimento vai sofrendo, bem como as alterações comportamentais dos seus protagonistas, ao longo das quatro estações do ano.

A Primavera é o inicio da história de amor entre o gato e a andorinha; é o tempo de felicidade para as personagens e o crescendo da intimidade no seu relacionamento; há alteração na Natureza e nas personagens; é a estação do amor e do sonho de um poeta.

O Verão: o tempo foi curto, passou a correr, muito depressa porque foi um tempo de felicidade. A percepção que as personagens tiveram no tempo foi de que este passou a correr.

O Outono: simboliza o tempo da partida e da separação. Para os protagonistas da história é um tempo triste e cheio de sofrimento. A alegria deu lugar à tristeza. Há modificação da paisagem e os habitantes do parque para com o gato.
O gato tem a confirmação de que o amor deles é impossível. É um capítulo triste decorrido num tempo triste – o Inverno.

PERSONIFICAÇÃO

A personificação ou prosopeia (prosopeia ou prosopopeia, no Brasil) é uma figura de estilo que consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais sentimentos ou ações próprias dos seres humanos.

Dizer "está um dia triste" implica a atribuição de um sentimento a uma entidade que, de fato, nunca poderá estar triste mas cujas características (céu nublado, frio, etc) poderão conotar tristeza para o ser humano.

Nas fábulas, a personificação toma um sentido simbólico, onde a atribuição de determinadas características humanas a seres irracionais segue determinadas regras determinadas pelo contexto socio-cultural do autor: os leões passam a ser corajosos (ou fanfarrões, como na fábula do leão e do rato, de Esopo); as raposas tornam-se astutas (ou desdenhosas); as características dos materiais passam a conotar o caráter humano ou o seu estatuto em termos de poder (forte ou frágil, como na fábula da panela de ferro e da panela de barro).

É uma figura de estilo frequentemente utilizada na literatura infanto-juvenil, ao permitir rasgos de fantasia que a literatura para adultos nem sempre permite, ainda que a ela recorra frequentemente (por exemplo, no realismo mágico sul-americano ou em contos e novelas como em O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado ou História de uma Gaivota e do Gato que a ensinou a voar, de Luis Sepúlveda - que funcionam como fábulas modernas e que, tal como em O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, esbatem as fronteiras entre o que é literatura para adultos ou literatura para crianças).

Exemplos de personificação:

"O Gato disse ao Pássaro que tinha uma asa partida."

"O Vento suspirou e o Sol também."

"A Cadeira começou a gritar com a Mesa."

"O morro dos ventos uivantes."

"O Sol amanheceu triste e escondido."

"A Bomba atômica é triste, Coisa mais triste não há Quando cai, cai sem vontade." (Vinícius de Morais)

"A lua beijava a face do lago adormecido. "

"O fogo dançava com o vento."

"O vento assobiava na janela, durante a noite."

"O sol brilhava contente na manha seguinte."

"O carro não agüentava mais, tantos anos de trabalho."